CONVIDADOS

conferências

 

Roberto Francavilla

Roberto Francavilla (1966) é Professor Associado de Literatura Portuguesa e Brasileira com habilitação a Professor Catedrático na Universidade de Génova onde, além dos cursos de Graduação, leciona no Doutorado em Literaturas Comparadas e nos cursos de Pós-Graduação da Faculdade de Letras de Lisboa. É tradutor para a língua italiana de Fernando Pessoa, Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade, João Guimarães Rosa, José Cardoso Pires, Chico Buarque, Gonçalo M. Tavares, Martha Batalha, Luís Schwarcz, Marcelo Backes entre outros, tendo sido professor durante anos no Curso de Mestrado em “Tradução e Editing dos Textos literários” da Universidade de Siena. Em relação à área de Estudos Brasileiros, tem publicado vários artigos sobre a tradução e a divulgação da Literatura brasileira em Itália, sobre a representação da sociedade brasileira, sobre a relação entre poesia e música popular e sobre a relação entre vanguardas brasileiras e europeias.

Conferência de abertura: “Uma viagem de olhos vendados em mares nunca dantes revelados” – Traduzir e divulgar Clarice Lispector (e a literatura brasileira) na Itália.
Data: 27/09/2021 

A fala está dividida em três partes. A primeira é dedicada ao campo social da tradução (destacando questões como a presença da literatura brasileira no mercado editorial italiano). A segunda parte focaliza a figura de Clarice Lispector, sua dimensão literária e cultural, sua poética, os principais problemas decorrentes de sua complexa relação com a linguagem. A terceira parte concentra-se na tradução de seu trabalho como prática e como hermenêutica do texto.

María José Hernández Guerrero

 
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María José Hernández Guerrero es catedrática del Departamento de Traducción e Interpretación de la Universidad de Málaga (España) y miembro del Grupo de Investigación Traductología e Interculturalidad. Entre sus principales líneas de investigación se encuentra la traducción periodística. Ha sido directora de Trans. Revista de Traductología y coordinadora del Máster Oficial en Traducción para el Mundo Editorial de la Universidad de Málaga, en el que imparte la asignatura de Traducción de Textos Periodísticos. Ha publicado numerosos artículos sobre este tema en las principales revistas de traducción (Meta: Translators’ Journal, Across Languages and Cultures, Perspectives, Hermeneus, etc.), y es autora de la entrada “Journalistic Translation” del Handbook of Hispanic Translation Studies, así como de los siguientes libros: La traducción periodística (Universidad de Castilla La Mancha, 2005) y Traducción y periodismo (Peter Lang, 2009).

Bio em português:

María José Hernández Guerrero é professora do Departamento de Tradução e Interpretação da Universidade de Málaga (España) e membro do Grupo de Pesquisa "Traductología e Interculturalidade". Dentre suas principais linhas de  pesquisa  está a tradução jornalística. Foi diretora da "Trans - Revista de Traductología" e coordenadora do Máster Oficial "Traducción para el Mundo Editorial" da Universidade de Málaga, no qual ministra a disciplina "Traducción de Textos Periodísticos". Publicou numerosos artigos sobre este tema em importantes revistas de tradução (Meta: Translators’ Journal, Across Languages and Cultures, Perspectives, Hermeneus, etc.), e é autora da entrada Journalistic Translation do  "Handbook of Hispanic Translation Studies" e dos livros: "La traducción periodística" (Universidad de Castilla La Mancha, 2005) e "Traducción y periodismo" (Peter Lang, 2009).

Conferência: Traducción periodística: retos y oportunidades

La traducción permite a los grupos de comunicación producir y distribuir material periodístico más allá de fronteras nacionales y lingüísticas. Les permite, igualmente, crecer, llegar a nuevas audiencias y alcanzar un mayor impacto social. En las primeras décadas de nuestro siglo, el uso de la traducción se ha multiplicado en el periodismo digital. A través de diferentes estudios de caso, esta conferencia mostrará los retos que plantea la traducción periodística en la actualidad y las oportunidades para los traductores.

Conferência: Tradução jornalística: desafios e oportunidades

A tradução possibilita que os grupos de comunicação produzam e distribuam material jornalístico para além das fronteiras nacionais e linguísticas. Permite, do mesmo modo, aumentar, alcançar novos públicos e atingir maior impacto social. Nas primeiras décadas do nosso século, o uso da tradução se multiplicou no jornalismo digital. Por meio de diferentes estudos de caso, esta conferência mostrará os desafios impostos pela tradução jornalística na atualidade e as oportunidades para os tradutores.

 

Luise von Flotow has taught Translation Studies at the University of Ottawa in Canada since 1996. Her main research interests have focused on feminist and gender issues in translation, translation as cultural diplomacy, and audio-visual translation. Publications include articles and books authored and edited in these areas. Her books include : The Routledge Handbook on Translation, Feminism and Gender, eds. Luise von Flotow and Hala Kamal, 2020;  Por casualidad y otras razones: traduccion y diffusion de la literatura, la dramaturgia y el cine de Canada en Latinoamerica, eds. Marc Charron, Luise von Flotow and Claudia Lucotti, Bonilla-Artigas Editores, 2018; Translating Women, Different Voices and New Horizons, eds. Luise von Flotow and Farzaneh Farhazad, Routledge 2017; Translation Effects: The Making of Contemporary Canadian Culture and Translation, ed. with Kathy Mezei and Sherry Simon, McGill Queens UP 2014; Translating Women, ed. University of Ottawa Press 2011; Translating Canada. Charting the Institutions and Influences of Cultural Transfer. Canadian Writing in German/y. eds. Luise von Flotow and Reingard Nischik, University of Ottawa Press 2007; Translation and Gender. Translation in the 'Era of Feminism’ St. Jerome Publishing and University of Ottawa Press 1997.

Luise Von Flotow

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She is also a literary translator, working mainly from German and French to English. Recent publications include: Manikanetish, tr. of Naomi Fontaine’s Manikanetish, forthcoming 2021; The World at Your Back, tr. of Thomas Melle’s Die Welt im Rücken 2016, Biblioasis Canada, forthcoming 2021; They Divided the Sky. Re-translation of Der geteilte Himmel, by Christa Wolf, 1963, University of Ottawa Press, 2013; Everyone Talks About the Weather. We Don’t. ed. Karin Bauer. Political columns by Ulrike Meinhof, annotation and introduction by Karin Bauer, Seven Stories Press, New York, 2008; and  The Four Roads Hotel, tr. of France Théoret`s L’hôtel aux quatre chemins, Toronto, Guernica Editions, 2017; The Stalinist’s Wife, tr. of France Théoret’s La femme du stalinien, Toronto Guernica Editions, 2013; Such a Good Education, tr. of France Theoret’s Une belle éducation, Toronto, Cormorant Press, 2010.

One translation into French is Tout le monde parle de la pluie et du beau temps. Pas nous! the French translation of Everybody Talks About the Weather. We Don't! (ed. Karin Bauer 2008), 2018 at Editions Remue-ménage, Montreal, in collaboration with Isabelle Totikaev.

Bio em português:

Luise von Flotow é professora de Estudos da Tradução na Universidade de Ottawa, no Canadá, desde 1996. Seus principais interesses de pesquisa focam no feminismo e em questões de gênero na tradução, tradução como diplomacia cultural e tradução audiovisual. Suas publicações incluem artigos e livros, por ela escritos e editados nessas áreas. Seus livros incluem: The Routledge Handbook on Translation, Feminism and Gender, eds. Luise von Flotow e Hala Kamal, 2020;  Por casualidad y otras razones: traduccion y diffusion de la literatura, la dramaturgia y el cine de Canada en Latinoamerica, eds. Marc Charron, Luise von Flotow e Claudia Lucotti, Bonilla-Artigas Editores, 2018; Translating Women, Different Voices and New Horizons, eds. Luise von Flotow e Farzaneh Farhazad, Routledge 2017; Translation Effects: The Making of Contemporary Canadian Culture and Translation, ed. com Kathy Mezei e Sherry Simon, McGill Queens UP 2014; Translating Women, ed. University of Ottawa Press 2011; Translating Canada.  Charting the Institutions and Influences of Cultural Transfer. Canadian Writing in German/y. eds. Luise von Flotow e Reingard Nischik, University of Ottawa Press 2007; Translation and Gender. Translation in the 'Era of Feminism' St. Jerome Publishing and University of Ottawa Press 1997.

Atua ainda como tradutora literária, traduzindo principalmente do alemão e do francês para o inglês. Publicações recentes incluem: Manikanetish, tradução de Manikanetish, de Naomi Fontaine, que será publicado em 2021; The World at Your Back, tradução de Die Welt im Rücken de Thomas Melle, 2016, Biblioasis Canada, que será publicado em 2021; They Divided the Sky. Retradução de Der geteilte Himmel,  de Christa Wolf, 1963, University of Ottawa Press, 2013; Everyone Talks About the Weather. We Don’t. ed. Karin Bauer.  Colunas de política por Ulrike Meinhof, comentários e introdução por Karin Bauer, Seven Stories Press, New York, 2008; e  The Four Roads Hotel, tradução de L’hôtel aux quatre chemins,  de France Théoret, Toronto, Guernica Editions, 2017; The Stalinist’s Wife,  tradução de La femme du stalien,  Toronto Guernica Editions, 2013; Such a Good Education, tradução de Une belle éducation,  de France Theoret, Toronto, Cormorant Press, 2010.

Uma tradução realizada para o fracês é Tout le monde parle de la pluie et du beau temps. Pas nous! a versão francesa de Everybody Talks About the Weather. We Don't! (ed. Karin Bauer 2008), 2018 em Editions Remue-ménage, Montreal, em colaboração com Isabelle Totikaev.

Conferência:  Feminist/Gender-aware Translation and Translation Studies: Evolving toward the ‘Transnational’

This talk will develop from a brief overview of 1970s/80s feminist activism in regard to language and discourse as well as publishing and distribution of literary work in the Anglo-American Eurozone. It will summarize the ideas and impact of the feminist turn in translation at that time.  It will then engage briefly with the insistent focus on genders that developed in the 1990s and examine how this affected the activities of both translators and translation researchers – stimulating or stymying their work, again in the Anglo-American Eurozone. Finally, the talk will move to the last ten years to address questions of feminist/gender-aware work in and on translation in a globalized, ‘transnational’ environment. In this third segment, I will refer largely to the work involved in producing and editing the recent Routledge Handbook on Translation, Feminism, and Gender (2020) that I produced with Hala Kamal at Cairo University, a project that moved away from the Anglo-American Eurozone in many ways but never completely. In fact, it brought the many layers and aspects of the term ‘transnational’ into clear focus, and this is what I propose to explore in regard to feminist and gender-aware translation studies in this last part of my talk.

Conferência:   Tradução Feminista/De gênero e Estudos da Tradução: Evolução rumo ao 'Transnacional'

A palestra se desenvolve a partir de um breve panorama geral do ativismo feminista das décadas de 1970 e 1980 com relação à linguagem e ao discurso, assim como as publicações e distribuição de trabalhos literários na Zona do Euro Anglo-Americana. Resumem-se as ideias e o impacto da virada feminista na tradução daquela época. Assim, a fala aborda brevemente o insistente foco em gêneros que se desenvolveu na década de 1990 e examina como isso afetou as atividades dos tradutores e pesquisadores da tradução – estimulando ou desencorajando seus trabalhos, novamente na Zona do Euro Anglo-Americana. Por fim, a conferência se volta para os últimos dez anos para tratar de questões de trabalhos feministas/de gênero em traduções em um ambiente globalizado e  'transnacional'.

Nesse terceiro seguimento, farei ampla refrência ao trabalho envolvido na produção e edição do recente livro Routledge Handbook on Translation Feminism Gender (2020) que produzi juntamente com Hala Kamal na Universidade de Cairo, um projeto que se distanciou da Zona do Euro Anglo-Americana em muitos sentidos, mas nunca completamente. De fato, esse trabalho trouxe à tona muitas camadas e aspectos do termo 'transnacional', e é isso o que eu pretendo explorar com relação às traduções feministas e de gênero na parte final da minha fala.

 

Fernando Scheibe

Fernando Scheibe (Florianópolis, 1973) é doutor em teoria da literatura pela UFSC, professor de língua francesa e literaturas de expressão francesa na UFAM, tradutor, revisor e editor da Cultura e Barbárie Editora. Traduziu, entre outras escritoras e escritores, Stéphane Mallarmé, Arlette Farge, Enki Bilal, Raymond Roussel, Marcel Detienne, Moebius (Jean Giraud), Catherine Malabou, Phillipe Geluck, Michel Foucault, Alain Badiou, Jules Laforgue, Régis Loisel, Gilles Deleuze, François Bourgeon, Emanuele Coccia, Jeff Lemire, Frederik Peeters, Jacques Rancière, Georges Didi-Huberman e, sobretudo, Georges Bataille.

Copyright Brian Graham

Dominique Nédellec

 

Dominique Nédellec nasceu em 1973 e vive no Sul da França. Depois de suas primeiras experiências com o universo do livro em uma agência literária, em editoras, livrarias e sebos parisienses, foi responsável pela promoção do livro francês na Embaixada da França na Coreia (1997-1998) e, a seguir, responsável de projetos no Centro Regional do Livro da Normandia (1998-2002). Autodidata, se tornou tradutor do português quando foi viver em Lisboa, de 2002 até 2006. Dedica-se exclusivamente à tradução literária desde 2009, tendo traduzido cerca de 70 livros. Entre os autores lusos, traduziu António Lobo Antunes e Gonçalo M. Tavares. Do Brasil, traduziu obras de Vanessa Barbara, João Anzanello Carrascoza, JP Cuenca, Rodrigo Lacerda, Michel Laub, João Gilberto Noll, Murilo Rubião, Joca Reiners Terron; e HQs de R. Coutinho/D. Galera, Marcelo D’Salete, João Pinheiro e Marcello Quintanilha.

Conferência:  O Dom da tradução

Como o Dom tá muito ocupado traduzindo Lobo Antunes, coube a mim traçar este scenário. Sendo assim,

resolvi transformar o que seria uma conferência numa performance: uma homenagem a Dominique Nédellec, o tradutor mais obsessivo e talentoso que já conheci. Ou, antes, uma celebração de nossa amizade. A ideia é, a partir de exemplos concretos de nossas trocas - melhor, nossos recíprocos dons - iniciadas em 2013, dar a ver a importância de, nos labirintos da tradução literária, contar com uma amizade lá do outro lado. Alguém, e volto aqui a pensar em Austin, que nos ajude a perceber todas as nuances dos atos de fala que, com maior ou menor felicidade, insistimos em verter. Afinal, como ele me disse certa vez: “Quel métier on fait, quand même. Il faut tout connaître, des tripes du hamster à Lautréamont...

Copyright  Ana Beauvoir

Germana Henriques Pereira

 
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Professora associada 4 da Universidade de Brasília. Doutora (2004) e Mestre (1998) em Literatura pela Universidade de Brasília. Maîtrise en Lettres Modernes (1989) pela Universite de Rennes II, França. Licence en Français Lettres Modernes (1988) e Licence en Portugais (1987) pela mesma instituição. Realizou pesquisa de pós-doutorado na Université de Montréal (2013/CAPES), na Universidade Federal de Santa Catarina (2013) e na Université de Rennes II (2006-2007/CNPq). Coordenadora do Programa de pós-graduação em Estudos da Tradução (2011/2012; 2015/2016). Diretora da Editora da Universidade de Brasília desde 2016. Editora-chefe da revista Belas Infiéis. Organizadora da Coleção Estudos da Tradução da Editora Pontes. Estudiosa da obra de Carolina Maria de Jesus, autora brasileira, e dos franceses Nathalie Sarraute e J.M.G. Le Clézio.

Conferência de encerramento:  A tradução de textos literários na sala de aula:  da análise literária à prática tradutória

A prática de tradução de textos literários voltada para a sala de aula enfrenta múltiplos desafios. Um deles é a crença de que não se forma um tradutor de textos literários, mas que ele é formado pela experiência. Soit! Porém, a experiência acadêmica também mostra que a formação de um tradutor requer capacidade de leitura crítica, interpretação, e conhecimento da cultura do contexto de produção do texto literário e do sistema literário receptor. Esta comunicação visa tratar de alguns aspectos relativos à sala de aula de tradução de textos literários. Trata-se de levar em conta as questões teórico-práticas envolvidas no processo tradutório, os aspectos formativos atinentes ao ensino de tradução de textos literários e a complexidade do fenômeno translacional. Este compreende as relações entre a literatura nacional e a literatura traduzida, as relações autor/tradutor, e as particularidades do texto literário, quer seja o texto primeiro ou o texto traduzido. Trata-se, ainda, da leitura do texto traduzido pelo crítico e pelo leitor. Com isso objetiva-se contribuir para a reflexão em torno da tradução literária, sua crítica e sua história.

MESAS REDONDAS

ENSINO DE TRADUÇÃO

Vanessa Lopes Lourenço Hanes

Vanessa Lopes Lourenço Hanes é doutora em Estudos da Tradução pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e atualmente é professora adjunta do Departamento de Letras Estrangeiras Modernas da Universidade Federal Fluminense, onde ministra disciplinas de língua inglesa e de prática de tradução. Também atua como docente na Pós-Graduação em Estudos da Tradução (PGET) da UFSC. Pesquisa questões relacionadas com a tradução de representações do discurso oral da língua inglesa para o português brasileiro, além de interessar-se pela análise de traduções de literatura de massa comercializadas no Brasil nos séculos XX e XXI, pela tradução de variações linguísticas em diferentes mídias e seus diversos desdobramentos, e pela tradução indireta. Suas publicações mais recentes incluem artigos em periódicos nacionais (como Cadernos de Tradução) e internacionais (como Translation and Literature).

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A relevância da abordagem de variações linguísticas no ensino da tradução

O âmbito do presente evento, cuja temática nesta edição gira em torno justamente da pluralidade de aspectos sociais e profissionais na tradução, parece ser o espaço perfeito para trazer à tona um debate que cada vez mais se mostra urgente nas salas de aula de formação de tradutores: por que e como abordar a tradução de variações linguísticas. Tendo em conta que variações linguísticas, segundo Halliday (1985), podem abranger tanto a utilização de diferentes registros quanto aquela de diferentes dialetos, o objetivo aqui é apresentar casos específicos já vivenciados no cotidiano universitário para refletir acerca de como docentes e discentes têm lidado com estes fenômenos linguísticos em suas experiências tradutórias frente a diferentes mídias (com exemplos que vão desde a tradução literária até a legendagem). A ideia não é trazer respostas simples sobre como a variação linguística deve ser abordada, mas tão somente pensar sobre as implicações e ramificações de diferentes posturas tradutórias possíveis frente à questão em tela. Temas como lugar de fala, ética tradutória, o uso da língua padrão e os seus limites, a proficiência linguística nas línguas de partida e de chegada, e o mercado de trabalho para o tradutor relacionam-se diretamente com a tradução de variações linguísticas em qualquer contexto, mas mostram-se especialmente relevantes no cenário brasileiro da atualidade.

José Luiz Vila Real Gonçalves

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O lugar dos cursos de formação de tradutores no contexto acadêmico brasileiro: ontem, hoje e no futuro

A oferta de cursos de formação de tradutores, que aparece bastante recentemente na história acadêmica e educacional de diversos países, tem sido quase sempre vinculada a cursos das áreas de línguas e literaturas. No final dos anos 1980, a pesquisadora Mary Snell-Hornby (1988) questiona a estrutura acadêmica compartimentada em departamentos em muitas instituições europeias, que se concentravam nos estudos de línguas e respectivas literaturas de forma independente. A falta de articulação, cooperação ou diálogo entre departamentos que trabalhavam com línguas e literaturas diferentes, as quais deveriam compor as línguas de trabalho na formação do tradutor, tornava bastante difícil a construção de um currículo adequado e satisfatório para os cursos de tradução que começavam a se estabelecer em vários países. Mais recentemente, verifica-se, em diversas instituições acadêmicas pelo mundo, um movimento de busca por um espaço acadêmico-científico e didático-pedagógico autônomo para a formação de tradutores, independente das faculdades ou departamentos de Letras. Entretanto, no Brasil o “lugar” dos cursos de tradução ainda é majoritariamente o 

domínio das Letras, com a limitação de estruturas departamentais pouco articuladas, tendo em alguns casos uma posição periférica e até deficitária em relação aos conteúdos e práticas que se esperam na formação do profissional. Meu objetivo nesta apresentação é discutir os limites, vantagens e desvantagens desse espaço tradicionalmente destinado aos cursos de tradução no Brasil, abordar algumas das mudanças recentes e os possíveis horizontes que nos permitam aprofundar as discussões e eventualmente contribuir para a melhoria desses cursos.

Marcia A. P. Martins

Marcia A. P. Martins é doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, tendo realizado estágio pós-doutoral na Queen Mary University of London em 2012. É professora associada do Departamento de Letras da PUC-Rio, onde atua no Bacharelado em Letras - Tradutor (inglês-português), no Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem e na Especialização em Tradução (inglês-português): Formação para o Mercado de Trabalho. É coeditora do periódico Tradução em Revista e compilou a base de dados sobre traduções brasileiras do teatro shakespeariano disponível em www.dbd.puc-rio.br/shakespeare, da qual é gestora. Entre seus interesses de pesquisa destacam-se a historiografia da tradução e as diferentes modalidades de reescrita da obra lírica e dramática de Shakespeare, temas sobre os quais tem publicado trabalhos em periódicos acadêmicos, como Cadernos de Tradução, e em volumes sobre tradução, como História da tradução no Brasil: teoria, recepção e cânone (São Paulo: Pontes, 2020) e Hamlet Translations: Prisms of Cultural Encounters across the Globe (Cardiff: Legenda, 2021).

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Possíveis contribuições da teoria das inteligências múltiplas à didática da tradução

Esta apresentação tem como objetivo pensar em formas de incorporar, ao ensino da tradução, premissas e propostas da teoria das inteligências múltiplas, desenvolvida por Howard Gardner em seu estudo pioneiro Frames of mind: the theory of multiple intelligences (1983). A essência da teoria das IM é respeitar as muitas diferenças entre as pessoas, as múltiplas variações em seus estilos de aprendizagem, “os vários modos pelos quais elas podem ser avaliadas e o número praticamente infinito de maneiras pelas quais elas podem deixar uma marca no mundo” (Armstrong, 2001). Neste trabalho, pretendo apontar apenas algumas das possibilidades oferecidas pela teoria de Howard Gardner em termos de pedagogia e didática, visando uma eventual aplicação aos cursos de formação de tradutores. Ao estimular diversas formas de percepção e aprendizagem, o professor/a terá oportunidade de criar condições para que os/as aprendizes de tradução desenvolvam mais plenamente as suas potencialidades e possam tornar-se profissionais mais completos e seguros.

 
 
 

Tradução e Dublagem

Márcia Otoubo

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Bacharel em Letras com Habilitação em Tradutor pela UNESP – IBILCE, trabalha com tradução audiovisual desde 2013, tendo realizado projetos dos mais diversos gêneros, como novelas mexicanas, seriados, reality shows e animes, tanto de legendagem quanto de dublagem, atualmente transmitidos por canais como Telecine, MTV, Discovery, Food Network e serviços de streaming. Atualmente trabalha com projetos que serão exibidos no Brasil e em países africanos de língua portuguesa e como tradutora do Selo Risco Impresso, editora especializada em narrativas experimentais.

Dublagem e prática: implicações entre culturas, mídia e tradução

Com o aumento do consumo de produtos em plataformas de streaming e com a grande conectividade que temos hoje, houve também uma maior procura de produções audiovisuais dubladas envolvendo todos os países de língua portuguesa. Discutiremos a importância dos elementos culturais na tradução, quais são as imposições do formato e como elas afetam o trabalho do tradutor, com base em experiências práticas, pensando nos diversos fatores que podem influenciar o trabalho final.

 

Isa Carvalho

Tradutora, intérprete, dubladora, atriz e diretora, desenvolveu e coordenou vários projetos de tradução ligados ao setor audiovisual nos últimos 20 anos à frente do grupo 4Estações (www.grupo4estacoes.com). Coordenou todo o setor de tradução de filmes para os maiores festivais de cinema do Brasil. Atriz formada pela Uni-Rio e diretora teatral formada pela UFRJ, fez curso de dublagem nos estúdios Herbert Richers e atuou na área durante 10 anos. Atualmente desenvolve vários projetos ligados ao setor audiovisual, trabalhando como tradutora para dublagem e legendagem, assim como para voice-over, junto à várias empresas como prestadora direta de serviços e/ou coordenadora de projetos. Também está envolvida atualmente em projetos de acessibilidade (LSE e AD) e de voice-over, tanto como tradutora quanto como locutora/dubladora. Ministra cursos desde 2006 nas áreas de tradução para legendagem, dublagem e na área de interpretação.

A Evolução do Mercado de Tradução Audiovisual (TAV) no Brasil em Termos de Formação e Demanda - Os Novos Desafios

Partindo da fita VHS, do aparelho de TV, passando pelo DVD player, pelos PCs em MS-DOS e depois Windows, e chegando aos primeiros softwares de tradução para legendagem e dublagem com recursos avançados de marcação de TC (timecode), desembocando nas mídias digitais, onde se elimina quase que completamente as "hard copies", como os rolos em 35mm, o VHS e o DVD, testemunhamos, nos últimos 20 anos, que o mercado audiovisual sofreu transformações inimagináveis em tão curto espaço de tempo. Em mais de 20 anos de trabalho no setor, presenciamos e tivemos que lidar, ano após ano, com essas transformações, e tivemos que nos adaptar quase que imediatamente às novas realidades, às novas ferramentas e às questões estéticas e éticas do trabalho de tradução que estavam envolvidas em cada um desses momentos de evolução. Nessa apresentação, pretendo passar por essas transformações e analisar o impacto de cada uma delas no trabalho de tradução e na necessidade de adaptação e readequação das habilidades e capacidades do tradutor, tornando a formação constante um princípio fundamental para que possamos atender às novas demandas do mercado. Analisarei também o crescimento do mercado de tradução para dublagem com o advento e fortalecimento do VOD e do streaming em decorrência da pandemia do Covid-19, assim como do mercado de acessibilidade, incluindo LIBRAS, LSE e AD.

 

Tradução Juramentada

Márcia Atálla Pietroluongo

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Possui Licenciatura em Letras - Português/ Francês pela Universidade Santa Úrsula (1989), Mestrado (1993) e Doutorado (1997) em Letras Neolatinas - Língua Francesa e Literaturas de Língua Francesa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Pós-Doutorado com pesquisa em Estudos da Tradução na Universidade Federal de Santa Catarina (PGET) (2007), Pós-Doutorado na área de Tradução Jurídica no Programa de Estudos da Linguagem da PUC-Rio (2014). É Professora Titular aposentada do Programa de Pós-Graduação em Letras Neolatinas da Universidade Federal do Rio de Janeiro e atua principalmente no âmbito dos Estudos da Tradução com ênfase em questões de Tradução e subjetividade, Tradução e Interpretação de Psicanálise e de Direito. É Tradutora Pública e Intérprete Comercial de língua francesa,inscrita na Junta Comercial do Rio de janeiro (JUCERJA).

A tradução juramentada: aspectos do ofício e perspectivas de atuação

O presente trabalho visa a discursar sobre o cotidiano do Tradutor Público e Intérprete Comercial, notadamente no par de línguas francês-português, as condições de sua atuação profissional no momento atual e as mudanças em perspectiva, mapeando os pré-requisitos para o acesso ao ofício e os novos desafios aos quais esse profissional será confrontado. Serão igualmente objeto de discussão o lugar sui generis que ele ocupa no mercado de trabalho da tradução, suas especificidades, e a diversidade de tipologias textuais que é chamado a traduzir com especial menção aos diferentes tipos de discurso jurídico e seus impasses.

 

Jorge Rodrigues

Jorge Rodrigues é tradutor profissional de inglês, francês, espanhol e português desde 1992, especializado nas áreas jurídica, comercial, financeira, empresarial, societária, marketing e criptomoedas. Tradutor Público e Intérprete Comercial (TPIC) de inglês e português, tradutor e intérprete da Justiça Federal, tradutor credenciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), pela Procuradoria da República no Estado de São Paulo (PRSP) e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). Membro da APTRAD, ATA, ATPIESP, SINTRA e credenciado pela ABRATES nos idiomas inglês-português e português-inglês. Bacharel em Tradução e Interpretação pela Universidade Católica de Santos.

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O TPIC no terceiro milênio

Vou falar sobre a minha trajetória como TPIC, os aspectos principais do meu trabalho no dia a dia e as perspectivas de modernização do ofício nos próximos anos.

 

Claudia de Ávila Antonini

Tradutora pública, intérprete de conferências, advogada e comunicadora, é bacharel em Comunicação Social pela PUCRS, Direito pela Uniritter, master em Relações Públicas Européias pelo Ateneo Impresa em consórcio com a Universidade La Sapienza de Roma, com especialização em Didática do Italiano L2 pela Università per Stranieri di Perugia e em Italiano Jurídico pela UFRGS. Desde 1996 tem escritórios no Brasil e na Itália voltados ao reconhecimento judicial da nacionalidade italiana e atua em processos judiciais neste âmbito e na tradução pública de documentos de registro civil e peças jurídicas e na interpretação de conferências. É inscrita nas Ordens dos Advogados Brasileira e Portuguesa e é membro da CCIRS - Camera di Commercio Italiana do RS, da APIC, da ABRATES, do SINTRA e da ASTRAJUR RS, da qual é a atual presidente. Também é conselheira do Com.It.Es - Comitê dos Italianos no Exterior - na circunscrição do RS.

Tradução Pública e Tradução Jurada - dois sistemas e suas diferenças

O sistema brasileiro de tradução pública e os sistemas de tradução jurada divergem em seus princípios e em sua forma. A tentativa de desburocratização do sistema brasileiro, através da flexibilização dos requisitos para o ingresso de novos tradutores, poderá retirar algumas das importantes prerrogativas que a tradução pública brasileira possui, gerar insegurança jurídica e extinguir instrumentos que hoje fazem da tradução pública brasileira, combinada com a Convenção de Haia, um dos melhores e mais dinâmicos serviços que o país oferece para quem necessita levar documentos traduzidos para uso no exterior. Entenda estas prerrogativas, a praticidade que representam e o quanto perderemos caso o sistema atual seja alterado. 

 

Marisol Mandarino

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Marisol Mandarino é Tradutora Pública e Intérprete Comercial habilitada em inglês e espanhol. Faz parte do Comitê Consultivo da Associação de Tradutores Públicos de Minas Gerais (ATP-MG). Cursou Licenciatura em Português-Inglês (UFRJ), Especialização em tradução de inglês (PUC-RJ) e Pós-graduação em tradução e interpretação de espanhol (UGF), com passagem pelas cabines de interpretação inglês-espanhol da Universidad de Salamanca. Suas áreas de especialização são TI, Telecomunicações, Direito, Petróleo e Gás, RH e Ecologia. Desde 2016, tem se dedicado ao estudo da legislação da Apostille. Defende a adoção da certificação digital nas traduções juramentadas. Palestrante nacional e internacional (Espanha e Portugal).

A terminologia correta ao falar sobre a tradução juramentada

Muitos tradutores erram ao falar sobre a tradução pública, mais conhecida como tradução juramentada. Usam termos do mundo da tradução não juramentada pensando que estão falando da mesma realidade e não estão. Abordaremos a diferença entre tradução não juramentada (mais conhecida como tradução simples) e juramentada, preço/lei da oferta e da procura e emolumentos, profissão e ofício, privado e público, logotipo e brasão, cliente e cidadão.

 

Tradução, Negritude e Identidade

Denise Carrascosa França

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Denise Carrascosa é Professora Associada de Literaturas de Língua Inglesa na Universidade Federal da Bahia. Docente do PPGLITCULT - Programa de Pós-Graduação em Literatura e Cultura. Doutora em Teoria e Crítica da Literatura e da Cultura. Tradutora Literária. Coordenadora do grupo de pesquisa Traduzindo no Atlântico Negro e organizadora do livro "Traduzindo no Atlântico Negro: cartas náuticas afrodiaspóricas para travessias literárias" (2017). Tradutora da coletânea poética "Quilombellas Amefricanas" (2020).

MULHERES NEGRAS EM TRADUÇÃO

O campo dos estudos de tradução literária no Brasil, aquele que orienta a práxis tradutória de textos da literatura e da cultura em suas mais diversas formas, permanece epistemologicamente centrado em teorias e métodos advindos do norte global, que ignoram a teoria crítica a regimes políticos, simbólicos e subjetivos racializados e gendrificados sob as violentas regras de nossa colonialidade escravista. A partir deste diagnóstico, propomos uma intervenção teórico-crítica feminista negra no referido campo de debates que descolonize sua episteme e projete uma cartografia de teorias, métodos e práxis tradutórias dos textos da literatura e da cultura afrodiaspóricas e africanas que lide com as questões raciais, de gênero, sexualidade e classe social, em um sentido abolicionista destas opressões sociais ainda violentamente ativas no Brasil contemporâneo, desde sua cidade mais negra além da África - Salvador da Bahia.

Palavras-chave: tradução literária; feminismo negro; literaturas africanas e afrodiaspóricas.   

Stephanie Borges

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Stephanie Borges (1984) é jornalista, tradutora e poeta. Nasceu no Rio de Janeiro, formou-se em comunicação social na UFF e fez especialização em Publishing Management na FGV-Rio. Seu livro de estreia Talvez precisemos de um nome para isso (2019) venceu o IV Prêmio Cepe Nacional de Literatura na categoria poesia, é uma das autora das da antologia As 29 poetas hoje (2021) organizada por Heloisa Buarque de Hollanda, publicou poemas do dossiê Poesia Hoje: negra com curadoria do poeta Ricardo Aleixo. Traduziu Olhares Negros: raça e representação e Tudo sobre o amor de bell hooks, Irmã Outsider, Sou sua Irmã e A unicórnia preta de Audre Lorde, Cidadã e Só nós de Claudia Rankine, Políticas do poder, de Margaret Atwood, Em busca dos jardins de nossas mães, de Alice Walker, entre outros.

Algumas observações sobre a experiência de uma poeta tradutora

Meu trabalho como tradutora é atravessado pela minha formação como jornalista, o meu primeiro contato com a tradução de textos jornalísticos, minha atuação no mercado editorial e enfim, pela minha produção como poeta. Compreendo o meu trabalho como tradutora a partir de duas perspectivas distintas – o trabalho realizado como freelancer para editoras e a livre iniciativa de traduzir poemas de autores com quem tenho afinidades estéticas. Traduzir poetas negras é uma forma de me aproximar de estratégias, dos desafios formais e das questões estéticas trabalhadas em outros projetos literários. O tradutor tem que ser um bom leitor. Ler autores negros é construir um arcabouço de referências culturais da diáspora e nos possibilita conhecer semelhanças e diferenças entre experiências negras diversas. Pensar as relações entre tradução e negritude é pensar esse trânsito na diáspora, mas também evitar ideias essencialistas que limitem as possibilidades de trabalho de tradutores negros.

 
 

Tradução sob a Perspectiva de Grupos Minoritários

Luciana Carvalho Fonseca

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Luciana Carvalho Fonseca é professora Doutora no Departamento de Letras Modernas da Universidade de São Paulo, onde leciona Língua Inglesa e Tradução na graduação em Letras e na pós-graduação em Letras Estrangeiras e Tradução (LETRA) e Estudos Linguísticos e Literários em Inglês (ELLI). É advogada, formada em Letras e possui experiência como tradutora e intérprete de conferências. Foi pesquisadora sênior da Cátedra e Rede de Cooperação UNITWIN/UNESCO para Integração da América Latina na Fundação Memorial da América Latina (2020-2021). Colabora com o Coletivo Sycorax em projetos de tradução coletiva. Coordena o Grupo de Estudos, Pesquisa e Ação em Feminismos, Gênero e Tradução (DLM/USP). Atualmente está co-organizando número especial do Belas Infiéis (UnB) que reúne trabalhos do 9th IATIS Regional Workshop, com trabalhos sobre tradução feminista. Seus temas de pesquisa são tradução na intersecção entre poder e ativismo, tradução feminista, historiografia da tradução e escrita acadêmica em inglês.

A experiência de parto de mulheres migrantes no país da cesárea: tradução e interpretação em contextos da saúde da mulher

O Brasil ostenta uma das mais altas taxas de cesárea no mundo, sendo a média nacional 52%, podendo o percentual ultrapassar 90% em determinadas maternidades. Estima-se, ainda, que 1 em 4 mulheres sofre violência obstétrica. Conseguir parir de modo informado, respeitoso e realizador não é tarefa fácil para nenhuma mulher nesse contexto. Nesta apresentação, adoto uma perspectiva feminista da saúde da mulher, em que os direitos reprodutivos fazem parte da luta contra a dominação patriarcal e exploração capitalista. Traduzir na área da saúde da mulher requer que os/as profissionais da tradução conheçam as inúmeras formas de opressão que diversos grupos de mulheres sofrem. Um grupo particularmente vulnerável são as mulheres latino-americanas migrantes e refugiadas no Brasil. Em virtude dos grandes fluxos migratórios, estima-se, hoje, que 15 a 30% das mulheres dão à luz fora de seu país de origem e pesquisas apontam que mulheres migrantes têm uma pior experiência de parto, sendo um dos motivos a barreira linguística. Nesta apresentação, busco discutir sobre a importância de uma experiência de parto positiva e como o/a profissional da tradução pode contribuir com ela, destacando as opressões que mulheres migrantes sofrem durante a gestação, parto e pós-parto, com exemplos do Brasil e do mundo.

Evelyn Martina Schuler Zea

Evelyn Schuler Zea é professora no Departamento de Antropologia da Universidade Federal de Santa Catarina, onde leciona na graduação e no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social e no Programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução. Atualmente faz parte da equipe de coordenação da Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica na UFSC, do Advisory Board no International Centre Interweaving Performance Cultures na Universidade Livre de Berlim e é pesquisadora do INCT Brasil Plural (IBP). Tem experiência na área de Antropologia, com ênfase em etnologia indígena e teoria antropológica, e em Estudos da Tradução, com ênfase em teoria, crítica e história da tradução, atuando principalmente nos seguintes temas: antropologias amazônicas e andinas, interweaving performance cultures, pesquisas e produções audiovisuais, tradução e escrita etnográficas. Entre as publicações mais recentes estão: “As potências políticas do deslocamento na etnografia, na tradução e na linguística''. Revista da Abralin, v. 17, p. 332-349, 2019, e a co-organização de 3 volumes da Coleção “Ações e Saberes Guarani, Kaingang e Laklãnõ-Xokleng em foco: pesquisas da Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica” em 2020 e 2 novos volumes da Coleção em 2021 (no prelo). 

As potências minoritárias 

Acho particularmente instigante a proposta da mesa que, com enfoque em grupos minoritários – entre os quais os povos indígenas – assim como nos alcances de uma tradução minoritária, convida também a pensar de modo abrangente no sentido de uma posição ou condição minoritária. Ao longo da sua história, a tradução carregou os desfavores de ser vista como subalterna e relegada, que são algumas das notas convencionais do minoritário. Mais ainda, a tradução foi confinada na invisibilidade. Essa história, entretanto, começou a mudar em parte pela reflexão dos tradutores, que antecipam uma notável reviravolta da posição minoritária. Pois o que daí emerge é que a tradução e suas múltiplas verdades tem um efeito dissolvente sobre as pressuposições dominantes da propriedade (do texto, do autor, do mundo). E paralelamente – mas estas linhas em algum ponto convergem – me parece perceber como distintivo na atuação dos assim chamados grupos minoritários uma recorrente “dupla intervenção”: ou seja, uma vez no marco estabelecido da interlocução com as premissas dominantes e uma outra vez apontando bem além desse marco. Tudo sucede, portanto, como se a posição minoritária – de um trabalho, de uma língua, de um grupo – pudesse ser melhor perfilada e abordada atendendo ao potencial de transformação que ela contém. Nesta apresentação, faço um seguimento destas variáveis prestando especial atenção às perspectivas de colaboração entre posições minoritárias, entendendo estas a partir da sua experiência e experimentação, da sua intervenção e invenção de trajetórias que, eventualmente, intersectam politicamente.

Dennys Silva-Reis

Professor adjunto de Literaturas de expressão francesa no Centro de Educação Letras e Artes (CELA), na Universidade Federal do Acre (UFAC), campus Rio Branco/AC e do Mestrado Acadêmico em Literatura na Universidade Federal de Rondônia (MEL/UNIR). Dentre seus últimos feitos estão a organização do: livro A tradução de quadrinhos no Brasil: princípios, práticas e perspectivas (2020, em co-organização com Kátia Hanna); número especial Mujeres y traducción en América Latina y el Caribe - Mutatis Mutandis 13 (em co-organização com Luciana Carvalho Fonseca e Liliam Ramos da Silva); Música e Tradução: variações - Tradução em Revista 29 (2020, em co-organização com Daniel Padilha Pacheco da Costa). Atualmente organiza para 2021 a obra Tradução e populações LGBTQI+ (em co-organização com Vinícius Martins). Seus interesses de pesquisa estão voltados para as Literatura latino-americanas de expressão francesa, Historiografia da tradução, Etnotradução e Relações Interartes.

TRADUÇÕES CONTRA-CISTEMA – UMA POLÍTICA DE TRANS-IDENTIDADES

As trans-identidades têm cada vez mais se articulado no Movimento Transgênero (Transgender Movement) para reivindicar suas próprias pautas, tais como combate à medicalização e patologização da transexualidade, políticas de acesso à saúde pública para a população trans, o direito à troca de nome conforme sua identidade de gênero, dentre outras. Tais ações são fruto de constantes debates e também articulações de discursos nacionais e internacionais. E é no encontro desses discursos que a tradução surge como uma ferramenta de ativismo trans-identitário necessária de ser pensada e exercida. Com base nisso, o presente trabalho visa abordar as traduções trans (feitas para e por pessoas trans, e sobre pessoas trans) como um princípio Contra-CIStema. Para alcançar nosso objetivo, se refletirá sobre os textos traduzidos e publicados no Brasil em três instâncias: (1) como política narrativa ou representacional do mundo transgênero; (2) como política do pensamento trans - um letramento ou aprendizagem de discursos; e, como política de (não)(auto)reconhecimento das trans-identidades nacionais e estrangeiras textualizadas. Em suma, pretende-se demonstrar a complexidade dos “textos trans” em tradução no Brasil no que tange à produção e à recepção dos textos escritos e audiovisuais. Pensar a tradução e a transgeneridade é refletir sobre os limites e os embates da etnotradução e da ética do tradutor no Brasil contemporâneo.

 
 
 

Tradução e Interpretação

Denise de Vasconcelos Araújo

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Denise de Vasconcelos Araujo ama trabalhar auxiliando na comunicação entre pessoas.  É tradutora e intérprete de conferência há 13 anos, trabalhando com os idiomas português e inglês. É pós-graduada em interpretação de conferências (2008) e mestre em Estudos da Linguagem (2017) pela PUC-Rio. Desde 2012 é professora  do curso de formação de intérpretes na mesma instituição. Membro da AIIC, da APIC e do Sintra. Membro correspondente do Comitê de Formação e Atualização Profissional da AIIC. Em 2019 começou a página @deniseinterprete no Instagram para ter um espaço para informar melhor sobre a profissão. Coordenadora e professora da plataforma Connecting Languages, onde dá aulas de terminologia inglês-português de diversas áreas do conhecimento

O intérprete em 2021: o que mudou? 

Nesta fala vamos tratar das competências necessárias que um intérprete precisa ter e desenvolver. Mais do que somente os idiomas e uma boa formação, ser intérprete agora  e nas próximas décadas exigirá diversas outras habilidades e iniciativas. 

Marina Soares Caproni

Marina Soares Caproni se graduou na turma de 2005 do curso de Bacharel em Letras com Habilitação de Tradutor da UNESP (IBILCE). Desde então, passou a se dedicar à tradução técnica de língua inglesa com foco nas áreas de contratos, psicologia, artigos científicos e marketing. A partir de 2010, deu início ao seu trabalho de interpretação simultânea e consecutiva em eventos de medicina, manufatura, indústria 4.0, cinema, marketing, vendas, TI e outros.

Interpretação Simultânea Remota (RSI)

O tema que se encontra entre os mais discutidos pelos intérpretes atualmente é o da interpretação simultânea remota (ou RSI, na sigla em inglês). Desde o começo da pandemia do coronavírus, as novas formas de trabalho remoto se expandiram e chegaram de maneira definitiva à interpretação simultânea e consecutiva, criando um novo mundo de oportunidades de trabalho, inclusive para profissionais mais introspectivos ou que estão longe dos grandes centros urbanos onde os eventos mais comumente acontecem.

 
 

minicursos

Gabriela Haddad Peron

Gabriela Haddad Peron é bacharel em Tradução pela Unesp de São José do Rio Preto e estudou também inglês, cinema e italiano na University of Georgia, nos EUA, durante a graduação. Iniciou na área de Tradução Audiovisual em 2015, fazendo legendas para clientes como SESC e MasterDubbing. Em 2018, foi chamada para trabalhar no renomado estúdio Vox Mundi, em São Paulo, onde se especializou em dublagem. Nesse período, adaptou as traduções de dublagens como The Bridgerton SeriesDarkElite e os premiados O FarolAbsorvendo o TabuJoias Brutas e História de um Casamento, no qual trabalhou diretamente com a especialista em adaptação Candace Whitman a pedido do diretor do longa, Noah Baumbach. Após atuar como Coordenadora de Legendas na ETC Filmes, hoje Gabriela é Coordenadora de Tradução na Centauro Comunicaciones, uma produtora multinacional com clientes como Discovery Channel, Disney+, Viacom e muitos outros.

Minicurso:  Tradução para dublagem

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Neste minicurso, vamos abordar quais são os bastidores de um estúdio de dublagem, seus processos, os limites entre domesticação e estrangeirização e quais as boas-práticas de uma excelente tradução para dublagem.

 

Reginaldo Francisco

Reginaldo Francisco é bacharel em Letras com Habilitação de Tradutor pelo Ibilce/UNESP e mestre em Estudos da Tradução pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Tradutor técnico e literário, tem diversas traduções publicadas, incluindo clássicos como A volta ao mundo em 80 dias, de Júlio Verne, e obras de autores de renome, como O mundo ainda é jovem, de Domenico de Masi. É o idealizador e um dos fundadores da Win-Win Traduções e Crowdfunding. Ministra cursos de Wordfast há mais de dez anos e trabalhou no suporte do programa, dando assistência a usuários no hotline da empresa e nos estandes desta em eventos internacionais.

Minicurso:  Treinamento em Wordfast Pro

No minicurso serão trabalhados os recursos essenciais do Wordfast Pro, como memórias de tradução, glossários, pesquisas de concordância, autocompletamento, controle de qualidade, entre outras. O conteúdo será ministrado por meio de exercícios práticos com o programa. Os participantes precisam baixar o programa (https://www.wordfast.com/products/wordfast_pro) e instalá-lo antes do início do curso.

 
 

Paula Ianelli

Paula Ianelli é formada em tradução pela UNESP-Rio Preto e em interpretação simultânea pela PUC-SP. Ela é certificada pela ATA e pela ABRATES, além de ser associada à AIIC e à APIC. Paula atuou como diretora da ABRATES e já apresentou diversas palestras em congressos nacionais e internacionais. Quando não está interpretando ou traduzindo, está gerenciando sua empresa de tradução ou dando aulas de interpretação na Alumni, o maior centro de interpretação de conferências do Brasil. Já interpretou desde celebridades como Sandra Bullock e Will Smith até políticos como Kamala Harris e Michel Temer, muitas vezes em eventos com milhares de ouvintes ou transmissões ao vivo para um público global. Saiba mais no site www.pitraducao.com.br.

Minicurso: Breve introdução ao universo da interpretação simultânea

Já se pegou pensando em como os intérpretes conseguem ouvir e falar ao mesmo tempo sem ficarem com um nó na cabeça? Parou para pensar em como se preparar para um evento com tradução ao vivo? E imaginou o quanto essa profissão mudou desde o início da pandemia? Nesta sessão, abordaremos desde aspectos básicos da profissão, como a diferença entre interpretação simultânea e interpretação consecutiva, até considerações muito mais avançadas de como estudar para um congresso, como investir em um desenvolvimento profissional contínuo na área, quais são nossas possibilidades de atuação na interpretação simultânea e qual é o perfil de um intérprete de sucesso.

Maryanne Linz

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Maryanne Linz é graduada em Comunicação Social - Produção Editorial pela UFRJ e pós-graduada em Tradução Inglês-Português pela PUC-Rio. É professora do módulo de Localização de Jogos na Pós-graduação de Tradução Inglês-Português da PUC-PR. Com vinte anos de experiência no mercado editorial como editora, tradutora e revisora, Maryanne já trabalhou em centenas de projetos de ficção e não ficção para editoras como Objetiva, Bertrand Brasil, Rocco, Planeta, Zahar, HarperCollins Brasil e Record. Há alguns anos passou a se dedicar exclusivamente à indústria de jogos. Como tradutora e editora, já participou de alguns dos produtos mais importantes da indústria, como Fortnite, Resident Evil 3, Soulcalibur VI, The Walking Dead: The Final Season, Destiny 2, entre muitos outros. Trabalha em projetos de empresas como Microsoft, Epic, EA, Bungie, Capcom, Ubisoft, Bandai Namco, Amazon, entre outras.

Edmo Suassuna

Edmo Suassuna é graduado em Comunicação Social - Publicidade pela FACHA e professor do curso livre Tradução de Jogos - Teoria e prática da localização de videogames na Pretexto, juntamente com Maryanne Linz. Tradutor literário desde 2004, com traduções publicadas de autores como Neil Gaiman, Suzanne Collins, Robert A. Heinlein, Naomi Novik, Richard Morgan e Glen Cook, Edmo tem mais de 10 anos de experiência na localização de jogos. Foi editor do selo Suma de Letras de ficção pop, a casa brasileira de Stephen King, onde coordenou e editou dezenas de traduções. Um dos integrantes originais da equipe de localização de World of Warcraft, da qual ainda faz parte, Edmo também foi líder da equipe de tradução de Diablo III, e participa de projetos de jogos da Microsoft, Blizzard, Riot, Epic, Bungie, Capcom, Ubisoft, Amazon e muitas outras.

Minicurso:  Tradução de Jogos - O Mercado Brasileiro

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Neste minicurso, falaremos sobre o universo da localização (nome que se dá à tradução nesta área) de jogos, o mercado de trabalho, as etapas de todo o processo de localização, com foco na tradução, quais são as exigências, as competências e os conhecimentos necessários para atuar no ramo e como é o dia a dia de um profissional da área. Você vai descobrir um pouco mais da realidade e dos desafios enfrentados nesse ramo empolgante e muito promissor na tradução e vai ter a oportunidade de fazer perguntas sobre o tema nos 15 minutos finais do evento.

Patrícia Tuxi dos Santos

Professora Adjunta no Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas - LIP e do Programa de Pós-graduação em Estudos da Tradução - POSTRAD da Universidade de Brasília - UnB, na área de Língua Brasileira de Sinais - Libras e nos Estudos da Tradução e Interpretação das Línguas de Sinais - ETILS. Doutora em Linguística e Mestre em Educação pela UnB. Tem experiência na área de Lexicologia e Terminografia das línguas de sinais e formação e profissionalização de Tradutores e Intérpretes de língua de sinais em contextos educacionais, museológicos, institutos culturais e patrimoniais. Participa como membro do Grupo de Pesquisa Acesso Livre - tradução audiovisual e acessibilidade cultural e do Grupo Corpus Multilíngue para Pesquisas em Línguas Estrangeiras, Tradução e Terminologia - COMPLETT. Pesquisadora do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Surdez - GEPeSS da UFRJ nas áreas de Educação e Letras e do Grupo LinCognit - Linguagem & Cognição: escolhas tradutórias e interpretativas - UFES. Desenvolve pesquisas em acessibilidade linguística no âmbito dos museus, de institutos culturais e patrimoniais, instituições governamentais e educacionais por meio de Videoguias e obras Lexicográficas Multilíngues.

Minicurso:  A LEXICOLOGIA E A TERMINOGRAFIA NOS ESTUDOS DA TRADUÇÃO E INTERPRETAÇÃO DAS LÍNGUAS DE SINAIS

Nesta oficina pretendemos apresentar o recorte de uma pesquisa sobre os estudos da Lexicologia e da Terminografia das Línguas de Sinais, em especial a forma de registro de obras bilíngues em que um dos pares linguísticos é a Língua Brasileira de Sinais – Libras. Para tanto identificamos os Estudos da Tradução e Interpretação das Línguas de Sinais – ETILS (VASCONCELOS, 2010; PEREIRA, 2010; SANTOS, 2013 e RODRIGUES, 2015) no cenário dos Estudos da Tradução (ET) e dos Estudos da Interpretação (EI). Em seguida elencamos as pesquisas acadêmicas desenvolvidas nos últimos dez anos com foco na Lexicografia, com o propósito intuito de identificar as teorias e os percursos metodológicos adotados.  Por fim verificamos como as macroestruturas e microestruturas de obras bibliográficas bilíngues foram estruturadas e registradas para analisar se funcionam como ferramentas de apoio para o tradutor e intérprete de língua de sinais. Sobre os aspectos conceituais, a pesquisa tem como base: a Teoria da Socioterminologia de Faulstich (1995,2001,2011) e a Análise de macroestruturas e microestruturas bilíngues por Barros (2004); Faulstich (2010); Tuxi (2017) e Tuxi (2019).  Como resultado parcial da pesquisa em andamento é possível visualizar uma lacuna teórica no que diz respeito a necessidade do uso de corpus como forma de tratar os dados tanto em língua portuguesa e em língua de sinais, o que abre um novo campo teórico de atuação.

 
 
 

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